domingo, 29 de maio de 2016

Pregação, Pregador(a)[1] e Apostasia


Marcelo Oliveira de Oliveira


Quando me perguntam se é possível o crente perder a salvação, respondo com outra indagação: É possível um crente apostatar da fé?

A apostasia pode nascer silenciosa no interior da família, da igreja, até mesmo, e principalmente, de dentro do ministério eclesiástico. Tendo a pensar quem mais corre o risco de cair em apostasia é o(a) pregador(a). Ora, mas como pode, se o pregador(a) é um dos principais agentes para debelar a apostasia?

Quando a relação “pregação-pregador(a)” é relativizada e, na maioria das vezes, banalizada, aquele(a) que deveria ser o arauto[2] de Deus transforma-se em arauto de si mesmo. Ele(a) passa a elaborar uma falsa autoimagem, propagandeando-a nos púlpitos. Então, inicia-se o processo de desconstrução interior até, que pouco a pouco, a mente se cauterize e não resista mais aos apelos do Espírito Santo (1 Tm 4.2). Então, para salvar a alma é preciso negar e desconstruir esse “si mesmo” desenvolvido ao longo do tempo (Mc 8.34-36). Mas qual o(a) pregador(a) que terá a coragem de fazer o caminho de volta após conquistar os pícaros do “mercado da fé”?

Neste artigo, procuro dialogar com o binômio “Pregação-Pregador(a)”, destacando o desafio do(a) pregador(a) na igreja contemporânea e a realidade da apostasia frente à pregação da Palavra.

O desafio do(a) Pregador(a)
O desafio do(a) pregador(a) contemporâneo é o de ser autêntico, honesto, simples e fiel na proclamação do Evangelho de Deus. Seu grande perigo é o de transformar o Evangelho em espetáculo. A consequência natural do processo de “metamorfose” desse(a) pregador(a) em relação à Palavra de Deus é a “fabricação” pragmática e calculada da mensagem para massagear egos. O objetivo central não é mais comunicar as verdades divinas com autenticidade, reverência e temor.

Aqui, a atitude do(a) pregador(a) para com o texto bíblico mostra o caráter do seu ministério. Se for constituída numa relação casuística, ou numa escolha meramente marqueteira da seção bíblica a ser pregada, onde não se apresenta uma dimensão profunda de oração, de estudo rigoroso, de escrutínio da mente e do coração perante a presença de Deus, está claro que a postura dele(a) se compromete apenas consigo mesmo e com o bem-estar do público que lhe ouve. Ele(a) pensa no bem-estar desse público, pois bem o conhece e espera a “generosidade” do retorno monetário. Aqui, a apostasia já iniciou o processo de corrosão do recôndito da alma de quem prega descompromissadamente da consciência do Evangelho.

É imperioso ouvirmos o conselho do doutor Martin Lloyd-Jones a esse respeito, expositor bíblico britânico, um dos mais apaixonados pregadores do século XX:

Meu principal conselho é o seguinte: leia sistematicamente a sua Bíblia. [...] Um dos hábitos mais fatais em que um pregador pode cair é o ler a Bíblia simplesmente para encontrar textos de sermões. Isto é um verdadeiro perigo; deve ser reconhecido, combatido e resistido com todas as forças. Não leia a Bíblia para descobrir textos para sermões; antes, leia a Bíblia porque é o alimento que Deus proveu para a sua alma. [...] Asseguro que o pregador não lê a sua Bíblia com o propósito de achar textos; mas, se ler a Bíblia de modo que sugerimos – o que, de fato, deve ser feito por todos os crentes – subitamente descobrirá, no decorrer de sua leitura, que algum trecho particular se destaca, o qual, por assim dizer, fala com ele e o abala, sugerindo-lhe imediatamente o sermão.[3]

Poderíamos sintetizar essa aula de Lloy-Jones na seguinte sentença: o pregador(a) não lê a Bíblia para pregar, ele(a) prega porque lê a Bíblia. Ora, o arauto de Deus não deve ter uma relação interesseira com a Bíblia, escolhendo aleatoriamente a mensagem para pregar. “Une dune tê” não pode ser a base para o exercício da proclamação da Palavra. Ou como um dia contou-me o pastor Claudionor de Andrade a respeito de um pregador de seu tempo: “Onde abri li”. Esse condicionamento em relação ao texto bíblico é devastador para a alma do(a) pregador(a), bem como para a igreja de um modo geral.

“Assim diz o Senhor” deveria ser a sentença clara e objetiva da boca de um(a) verdadeiro(a) pregador(a), da segurança de que a relação essencial com Deus promove à alma humana. O verdadeiro arauto de Deus não faz concessões por causa dos interesses particulares de algumas pessoas ou, até mesmo, de uma instituição. O Evangelho não está para concessões!
Sobretudo, esse arauto norteia toda a sua vida sob o fundamento do amor. Até quando ele é firme, se faz firme, mas cheio de amor. O arauto sabe que só o amor de Deus, derramado por intermédio de Cristo Jesus, o seu Filho, pode fazer o ser humano retroceder dos seus maus intentos dantes decididos e planejados.

Sentir o sentimento de Deus; falar a fala do Altíssimo; amar no amor do Pai só é possível a partir de uma relação íntima e visceral com Ele e sua Palavra. Logo, a relação do(a) pregador(a) com a Palavra deve ser proporcional à relação do arauto com a própria vida, ou seja, proporcional ao ar que ele respira; à alimentação que o alimenta; à relação com as pessoas mais amadas. Tudo o quanto supre a necessidade existencial do arauto, assim deve ser a necessidade espiritual do mensageiro de Deus.

A realidade da apostasia e a pregação como antídoto
A apostasia é real! Está sorrateiramente, não em todos os crentes, mas em todas as igrejas. Por apostasia, compreendemos aquela natureza prática de se distanciar conscientemente das verdades eternas do Cristo presente nos Evangelhos. E para essa apostasia ser combatida, a pregação deve ser levada a sério pela igreja e pelos(as) candidatos(as) a arautos. É um desafio, pois ser arauto de Deus implica externalizar aspectos de uma pregação não muito bem recebidos nos dias atuais. Correção, confrontação e reflexão consciente sobre si mesmo à luz do Evangelho?! Quem está disposto a fazer isso hoje? Desse modo, não é somente o arauto de Deus quem deve ter o cuidado com a Palavra, a igreja local tem o dever de se fazer boa ouvinte dos conselhos eternos.

Embora seja um caos o seu conhecimento a respeito da Teologia Pentecostal, e muitas vezes beirando a má fé, devo reconhecer que o pastor John Macarthur Jr explorou com destreza algumas características que uma pregação deve apresentar:

·        A pregação deve receber a devida prioridade;
·        A pregação deve receber a devida fundamentação;
·        A pregação deve possuir o devido conteúdo;
·        A pregação deve conter o devido compromisso;
·        A pregação deve manifestar o chamado supremo do pregador. [4]

É o que o pastor George O. Wood, presidente do Supremo Concílio das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, expõe quando trata do método da boa pregação e, que por isso, deveria ser escolhido pelos novos candidatos ao pastorado: “Uma razão para o pastorado longo: ‘Pregação Expositiva’.[5]

Estou convencido de que a pregação que honra as Escrituras, e principalmente o Cristo dos Evangelhos, é a pregação expositiva do texto bíblico. Pois ela faz o crente amadurecer na fé, conhecer em profundidade a natureza e a mensagem do texto que deverá nortear sua vida. E, por isso, a pregação expositiva é o melhor e o mais poderoso antídoto para precaver a Igreja de Cristo contra a apostasia.

Basicamente, a pregação expositiva toma uma porção escriturística, que tecnicamente a chamamos de perícope, e trata de responder a duas perguntas: O que o texto disse? E o que ele diz hoje? Após responder a essas perguntas, os pontos principais e os subpontos da mensagem são regidos pelo próprio texto bíblico, ou seja, a pregação expositiva não permite ondulações externa ao texto, mas exige que o(a) pregador(a) domine integralmente o âmago do texto para garantir a sua fidelidade na exposição bíblica. Por isso, o papel da pregação no combate à apostasia é tão relevante. Geralmente, um mensageiro que prega expositivamente alcança o cerne do assunto como nenhum outro método é capaz de alcançar. Nesse aspecto, a pregação expositiva funciona como um poderoso antídoto contra a apostasia. Pregação não é mágica. Pregação é inspiração acompanhada de muita transpiração (espiritual e intelectual)!

Quando olhamos para a História da Igreja, onde ocorreram os grandes Avivamentos e Despertamentos espirituais, a seriedade com que os grandes nomes desses movimentos trataram o texto bíblico mostra o porquê de o Senhor derramar a sua graça abundante nos corações das pessoas. John Wesley, Charles Spurgeon, Jonathan Edwards, dentre muitos arautos de Deus, foram pregadores apaixonados por apresentar a pregação das Escrituras de maneira expositiva. Por isso, eles foram instrumentos chaves nos maiores avivamentos que ocorreram na História da Igreja. Vida de profunda oração e compromisso de pregar expositivamente a Palavra foram determinantes.

Portanto, contra a apostasia, faz-se urgente o exercício sério, paulatino, intelectual e espiritual da pregação expositiva. Esta, por sua vez, precisa responder às perguntas que estão sendo feitas, comunicar as verdades eternas, iluminar as mentes, aquecer os corações, acalmar o aflito, incomodar o acomodado e, por fim, desafiar-nos a assumirmos o compromisso com as virtudes do Reino de Deus num mundo essencialmente hostil.

O arauto de Deus precisa dizer e o povo de Deus, ouvir! Assim, haverá uma poderosa barreira para a apostasia na igreja local.



Marcelo Oliveira de Oliveira é Evangelista, bacharel e professor de Teologia, licenciando em Letras, comentarista do currículo infanto-juvenil e revisor do Setor de Educação Cristã da CPAD. 



[1] Embora não se encontre “pregadora” nos Manuais Clássicos da Língua Portuguesa, a palavra está com vigor na boca das mulheres cristãs das denominações pentecostais. Por isso, faço o uso da desinência nominal de gênero “a” para marcar essa palavra neste artigo, pois o meu objetivo é conversar tanto os homens e quanto as mulheres que pregam a Palavra de Deus.
[2] O mesmo não ocorre com a palavra “arauto”. Trata-se de um substantivo masculino e que  uma versão feminina da palavra ainda não caiu na boca do povo.
[3] LLOYD-JONES, Martin. Pregação e Pregadores. São Paulo: Editora FIEL, 2008, p.161-62.
[4] MACARTHUR, JR., John. Ministério Pastoral: Alcançando a excelência no ministério cristão. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, pp. 261-71.
[5] Manual Pastor Pentecostal: Teologia e Práticas Pastorais. Rio de Janeiro. 3ª ed. CPAD, 2005, pp. 82,84.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Sobre o Manifesto Missão na Íntegra


Para mim, a teologia da Missão Integral é parte das minhas reflexões teológicas, pois foi o meu tema de monografia na faculdade, sob a orientação do Dr. Nelson Célio de Mesquita da Rocha. De modo que me sinto a vontade em falar sobre o manifesto do movimento Missão na Íntegra, assinado por Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz, Ricardo Bitum e outros.

A íntegra do Manifesto está aqui.

Cabe ressaltar, em primeiro lugar, que a teologia da Missão Integral remonta o Pacto de Lausanne. Um documento relatado por John Stott e aprovado pela maioria das igrejas evangélicas presente no primeiro Congresso Internacional de Evangelização Mundial em 1974, na Suiça – inclusive pelas Assembleias de Deus no Brasil, que enviou o pastor Alcebíades dos Vansconcelos e publicou o documento de Lausanne pela CPAD.

O documento reflete uma leitura simples das Escrituras em relação a prática missionária. Ora, a Igreja não pode fazer missões, ignorando o contexto social em que está inserida. Por isso, não pode haver dualidade na prática missionária, pois “o ide e pregai o Evangelho” não suplantou o “amai o próximo como a ti mesmo”. A partir de uma leitura legítima dos profetas do Antigo Testamento, dos Evangelhos e dos ensinos apostólicos foi possível estabelecer uma doutrina de orientação social para a Igreja Evangélica.  

Nesse aspecto, a TMI não tem o marxismo como referencial teórico. Para muitos teólogos, a TMI chega até ser ingênua, pois a sua leitura é simples, não sendo possível encontrar qualquer estrutura complexa de interpretação como a Teologia da Libertação. Na TMI, a inspiração das Escrituras é ratificada, o conceito de salvação e pecado é preservado. Entretanto, nada disso impede que seus proponentes deixem de ser isentos e assumam um lado da história para perder a sua capacidade profética. Foi o que fizeram Ariovaldo Ramos, Ed René Kivitz, Ricardo Bitum e outros.

O manifesto da liderança da Missão na Íntegra é vergonhoso em todas as dimensões. Ali, está presente a dissimulação da teologia. Sim, é possível dissimular na teologia e com a leitura do Evangelho. Foi isso que esse manifesto fez. É uma grande ironia: aqueles que sempre criticaram a igreja evangélica pela sua letargia, agora se mostram letárgicos e dissimulados. É incrível a perda da capacidade da isenção e da denúncia!

O movimento da Missão na Íntegra vem perdendo essa capacidade há muito, desde que um de seus maiores expoentes, Ariovaldo Ramos, por intermédio do seu projeto Visão Mundial, sentou no Palácio do Planalto e disse amém para aquele governo. O problema não foi dizer amém para o governo do PT, o problema foi dizer amém para um governo. Ariovaldo Ramos vem cometendo o mesmo erro da maioria das lideranças evangélicas brasileiras: sentando com o poder, negociando e acordando com ele. Enquanto isso, seus companheiros assistem tudo calados.

Por isso, não me surpreendo com a atitude da Missão na Íntegra. Era de se esperar. Mas duvido se ela soltaria um documento desses se o objeto das investigações fosse alguém da oposição. O nome disso é dissimulação! São os “profetas” do palácio assistindo os profetas das ruas serem achincalhados. Vergonha!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A PRIMEIRA E A SEGUNDA RESSURREIÇÃO: QUEM FARÁ PARTE?

Marcelo Oliveira de Oliveira

Nesta semana recebi questionamentos sobre a lição deste domingo, a de número 5, da Revista Lições Bíblicas CPAD, onde o comentarista, abordando sobre o tema escatológico da primeira e da segunda ressurreição, afirma: “Contudo, na primeira ressurreição, farão também parte desse evento glorioso: ‘as duas testemunhas’ (Ap 11.1-12; o grupo dos ‘mártires’, aqueles que aceitarão a Cristo na ‘grande tribulação’ (Ap 20.5,6)” (Revista do Professor, pág. 38 – Lição 5, 1º Tópico, 2º subtópico).

A grande dúvida é sobre o evento da Primeira Ressurreição descrita em Apocalipse 20.4-6. Antes de avançarmos é importante destacar que a explicação ora exposta neste espaço virtual segue a linha oficial de interpretação das Assembleias de Deus no Brasil, isto é, o Pré-milenismo-dispensacionalista-pré-tribulacionista.[1] Naturalmente, há irmãos em Cristo que compreendem de maneira diferente o capítulo 20 de Apocalipse e a doutrina do Arrebatamento. Como esse texto é voltado para os professores da Escola Dominical que usam a revista da CPAD, é importante respeitarmos a linha oficial de interpretação da nossa denominação.

     “As Duas testemunhas” e os “Mártires” farão parte da Primeira Ressurreição? O problema desta pergunta é que muitos confundem a Primeira Ressurreição como sendo apenas o evento escatológico do Arrebatamento. O texto de Apocalipse 20 diz que “bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição” (v.6). Quem são estas pessoas que têm parte na Primeira Ressurreição? O versículo 4 responde: “as almas daqueles degolados pelo testemunho de Jesus e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão”. Essas pessoas são o grupo de “Mártires” provenientes da Grande Tribulação. Aqueles que resistiram e enfrentaram a rebelião do Anticristo.  

    No mesmo período dos Mártires, ou seja, na Grande Tribulação, e após serem mortas, as “Duas Testemunhas” serão ressuscitadas, pois igual aos mártires, elas resistiram e denunciaram o engano do Anticristo, além de proclamar a mensagem de Deus (Ap 11.1-14). Logo, o grupo dos “Mártires” e as Duas Testemunhas têm parte na Primeira Ressurreição. Algumas pessoas discordam exatamente neste ponto! Por compreenderam a Primeira Ressurreição como se fosse apenas o evento do Arrebatamento, alguns irmãos pensam que o comentarista da lição equivocou-se ao afirmar: “Contudo, na primeira ressurreição, farão também parte desse evento glorioso: ‘as duas testemunhas’ (Ap 11.1-12); o grupo dos ‘mártires’, aqueles que aceitarão a Cristo na ‘grande tribulação’ (Ap 20.5,6)”. O que não é verdade, pois de acordo com a interpretação clássica do Pré-Tribulacionismo, não há erro nesta afirmativa. Vejamos.

     O Pré-Tribulacionismo Clássico, com base em Apocalipse 20, entende que se pode dividir o fenômeno da ressurreição escatológica em dois momentos: Primeira Ressurreição [salvos] e Segunda Ressurreição [ímpios]. Esta última se refere à ressurreição dos ímpios diante do Trono Branco, como está narrado em Apocalipse 20.11-15. Aquela Primeira Ressurreição diz respeito a todos os salvos em Cristo e não se dá apenas em único evento. Ou seja, a Primeira Ressurreição se dá em vários eventos em que se refere exclusivamente à ressurreição dos crentes. Neste aspecto, a Primeira Ressurreição ocorre várias vezes ao longo da história humana:

1.      A Ressurreição do Salvador, as primícias da Primeira Ressurreição (Rm 6.8; 1 Co 15.20,23; Cl 1.18; Ap 1.18);
2.     Os santos do Antigo Testamento. Mateus narra que, por ocasião da morte de Jesus, os túmulos de muitos santos foram abertos e estas pessoas apareceram na cidade como sinal de confirmação de que Jesus era o Messias (Mt 27.50-54; cf. Dn 12.1-2).[2]
3.      Os salvos que morreram antes da volta do Senhor (1 Co 15.51; 1 Ts 4.13-18).
4.     As Duas Testemunhas do Apocalipse (Ap 11.1-14).
5.      “Os mártires da Tribulação. Apocalipse 20.4-6 identifica os mortos martirizados na Tribulação como aqueles que serão ressuscitados na segunda vinda de Cristo, a fim de reinarem com Ele por mil anos”.[3]     

       Neste caso, não há erro em afirmar que, além da Igreja de Cristo ser arrebatada nos Céus, as Duas Testemunhas e o grupo de Mártires farão parte da Primeira Ressurreição. É o que está textualmente claro em Apocalipse 20.4-6. Ora, os santos do Antigo Testamento, a Igreja arrebatada, as Duas Testemunhas e os Mártires estarão para sempre com o Senhor: esta é a Primeira Ressurreição (Ap 20.6). Logo, a segunda ressurreição se refere somente aos ímpios que se rebelaram contra Deus: quando se dará o julgamento diante do trono Branco, o Juízo Final (Ap 20.11-15).

      O que deve ficar claro para quem estudará a lição deste domingo, em primeiro lugar, é que devemos conservar a esperança na Vinda do Senhor, pois Ele pode voltar a qualquer momento. A sua vinda é iminente! Os apóstolos tinham essa esperança e devemos conservá-la também. Anelar pela vinda do Senhor! Isto requer um exercício de nos tornarmos menos materialistas e mais espirituais. Em segundo lugar: que haverá um juízo de Deus, onde os homens prestarão contas de seus atos e ações perante o justo juiz.

Portanto, não precisamos nos prender em detalhes, mas focar no mais importante, no indispensável: o nosso Rei virá! Veremos a Jesus! É nutrir o povo de Deus com esperança, e não medo; com alegria, e não tristeza; com paz, e não turbação. Afinal, “agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido” (1 Co 13.12).

Paz e Bem!

Indicação Bibliográfica
Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD.
Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, CPAD.


[1] Aqui, cito o meu artigo da Revista Ensinador Cristão nº 65 e página 38: “Caro professor, a doutrina da Segunda Vinda do Senhor tem dois aspectos que precisam ser destacados: o secreto e o público. São duas as etapas que constituem a Segunda Vinda do Senhor. A primeira é visível somente para a Igreja, mas invisível ao mundo; a segunda etapa é visível a todas as pessoas, pois “todo olho verá”. Na presente lição, o aspecto tratado será o primeiro, ou seja, a doutrina do Arrebatamento da Igreja.
Ao introduzir a lição desta semana na classe, defina o termo “arrebatamento”. Mostre aos alunos que o termo se origina da palavra grega harpagêsometha que significa “àquilo que é frequentemente chamado”. Refere-se à ideia de se encontrar com o Senhor para celebrá-lo como Ele é. A ideia de nos encontrarmos com o Senhor faz um paralelo com 1 Tessalonicenses 4.15, onde a palavra parousia aparece determinando os seguintes significados: “presença” e “vinda” do Senhor. Por isso, há algumas linhas de pensamentos distintas, em que outros irmãos em Cristo consideram que o Arrebatamento e a Vinda Gloriosa serão um só evento.
Entretanto, o contexto do Arrebatamento como um acontecimento distinto à Vinda Gloriosa está nos escritos do apóstolo Paulo. Este tinha em mente o arrebatamento quando exortava os crentes do Novo Testamento a terem esperança: “nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts 4.17). Textos como o de Colossensses 3.4 e o de Judas v.14 dão conta dos crentes voltando com Cristo para julgarem os ímpios após o Arrebatamento da Igreja.

Múltiplas Correntes Escatológicas concernentes ao Arrebatamento

Pré-Milenismo
Amilenismo
Pós-Milenismo
O Pré-Milenismo está dividido em Histórico e Dispensasionalista.
O Dispensasionalismo está dividido em:
  • Pré-Tribulacionista
  • Meso-Tribulacionista
  • Pós-Tribulacionista
O Amilenismo tem um entendimento de que na Segunda Vinda de Jesus, o Arrebatamento e a Parousia estarão conectadas, isto é, serão um só acontecimento, seguindo assim o Juízo Final.
Igualmente, o Pós-Milenismo entende que na Segunda Vinda de Jesus, o Arrebatamento e a Parousia estarão conectadas, isto é, serão um só evento, seguindo assim o Juízo Final.

As Assembleias de Deus no Brasil adotam a corrente Pré-Milenista-Dispensacionalista-Pré-Tribulacionista, onde o Arrebatamento da Igreja ocorrerá antes dos sete anos de Grande Tribulação.


[2] A seção do texto de Mateus mostra diversos acontecimentos miraculosos que os estudiosos chamam de testemunhos apocalípticos: o véu do Templo se rasgou de alto a baixo (v.51); o terremoto da terra, a abertura dos sepulcros (v.52) (cf. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, p.150-52).

[3] Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica, CPAD, p.402. Cf. É importante ressaltar o comentário de Timothy P. Jenney, um pentecostal erudito americano, que mostra outra possibilidade dos mártires descritos em Apocalipse 20: “Quem fará parte da primeira ressurreição? (20.5) O Apocalipse descreve aqueles que ressuscitaram aqui como ‘aqueles que foram degolados’ (v.4). No Império Romano, a decapitação era o castigo pela traição cometida por um cidadão. Uma interpretação estritamente literal limitaria a primeira ressurreição apenas àqueles que foram martirizados dessa forma (omitindo, assim, aqueles que morreram pela espada, animais selvagens, crucificação, etc.). Porém outros argumentam que a frase é apenas uma figura retórica, uma metonímia, na qual apenas a referência a uma parte indica o conjunto (por exemplo, a frase ‘dez cabeças de gado’ indica, geralmente, dez animais inteiros, e não apenas suas cabeças). Se essa frase for uma metonímia, ela pode significar ‘todos os mártires’ ou ‘qualquer um que tenha dado a vida por Deus’, através do martírio ou não. Atualmente, estudiosos em geral entendem essa frase conforme esse último sentido, onde os mártires representam, simplesmente, o exemplo ideal e mais elevado de uma morte virtuosa. ‘Os outros mortos’ (v.5) serão julgados como os pecadores” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, CPAD, p.1918).


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

UM ADEUS AO MEU PAI NA FÉ: OVENCÍLIO VIEIRA

Irmão Ovencílio era aquele pregador de uma mensagem só: Jesus está voltando. Até hoje não conheci ninguém como ele que vivesse como se Jesus voltasse a qualquer momento, sendo, por isso, até mal compreendido. Mas se tratava de uma verdade interna que não tinha como ele esconder senão expressar para todos quantos pudessem ouvir: Jesus está voltando.

Irmão Ovencílio também era um profeta. Inclusive profetizou para mim de maneira admoestadora:
― Marcelo, você vai ao diaconato; vai ao presbitério; vai à evangelista; vai ao pastorado. Mas quando chegar lá desça mais. Humilha-se mais! Deus não te quer como ioiô na mão de líderes, fazendo o jogo desse mercado em que se transformou a igreja evangélica. 

Jamais esqueci desta admoestação profética!

Um homem experimentado que sofreu e aprendeu o verdadeiro sentido do Evangelho mesmo sob a árdua experiência da vida e as decepções eclesiásticas. Mas diante de todas as decepções, ele não perdeu a pureza do Evangelho. Sua confiança em Jesus e no Reino de Deus nunca foi abalada.

Quantas frases me ensinaram no caminho da sua existência:
― Irmão Ovencílio, como vai o Senhor?
― Estou melhor do que mereço ― respondia.

Outra pequena pérola que me serviu de aprendizado e consolo:
“Olhemos para Jesus e depois para nós mesmos, porque pela perfeição de Jesus nós corrigimos as nossas imperfeições”.

Após vários meses de luta pela vida, o irmão Ovencílio partiu para o Senhor. Agora, Ele está de fato com Cristo: a grande esperança do seu coração. Nós que ficamos, acolhamos o seu exemplo como homem de Deus e aguardemos com confiança a consumação de todas as coisas.

Muito obrigado, irmão Ovencílio, pelo privilégio em participar da sua existência!

Nossos votos de sentimentos, meu e de minha esposa Gilmara, à irmã Ester, sua esposa, e aos seus filhos.

E a toda a família que neste momento está de luto.


Em Cristo, um dia nos encontraremos!

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Lições Bíblicas CPAD: ESCATOLOGIA - 1º TRI 2016



O currículo de Escola Dominical CPAD é um aprendizado que acompanha toda a família. A cada trimestre, um reforço espiritual para aqueles que desejam edificar suas vidas na Palavra de Deus. Neste 1º trimestre de 2016, estudaremos: O Final de Todas as Coisas Esperança e Glória para os Salvos 
Comentário: Pr. Elinaldo Renovato de Lima

Sumário: 
Lição 1 - Escatologia, o Estudo das Últimas Coisas 
Lição 2 - Sinais que Antecedem a Volta de Cristo 
Lição 3 - Esperando a Volta de Jesus 
Lição 4 - Esteja Alerta e Vigilante, Jesus Voltará 
Lição 5 - O Arrebatamento da Igreja 
Lição 6 - O Tribunal de Cristo e os Galardões 
Lição 7 - As Bodas do Cordeiro 
Lição 8 - A Grande Tribulação 
Lição 9 - A Vinda de Jesus em Glória 
Lição 10 - Milênio - Um Tempo Glorioso para a Terra 
Lição 11 - O Juízo Final 
Lição 12 - Novos Céus e Nova Terra 
Lição 13 - O Destino Final dos Mortos


segunda-feira, 2 de novembro de 2015

QUANDO A DOR DA MORTE E DO LUTO CHEGAR

Em algumas partes do meio evangélico pentecostal, uma mãe chorar a morte do filho ou a esposa sofrer a partida repentina do esposo é “pecado”. Quer-se a todo custo que a pessoa enlutada permaneça firme na “obra de Deus”. Infelizmente, esse pensamento faz parte de uma perspectiva teológica equivocada e sem contexto de que os “mortos devem enterrar o seus mortos” e de que não há tempo para o “servo de Deus” sofrer as agruras da vida porque a “obra de Deus” não pode parar. Pessoas que pensam assim, não têm noção de que a maior obra de Deus, neste caso, é consolar quem perdeu o seu ente querido: “Se alguém entre vós cuida ser religioso e não refreia a sua língua, antes, engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (Tg 1.26,27).
Que tristeza ver pessoas se desumanizarem em nome de uma fé que nada tem a ver com o Evangelho! Pior ainda é contemplar gente disferindo ataques contra o dia de finados pensando defender a fé cristã. Não vou tão longe, no sentido de fazer culto aos mortos, pois pelo Evangelho eu sei que Deus é o Deus de vivos e que quaisquer pessoas que, em Cristo, passaram da vida para morte estão vivas. Entretanto, a memória de quem se foi deve ser preservada sim. A mãe deve viver o luto da passagem do seu filho. Ora, imagine a dor! Imagine o sofrimento! Imagine a angústia!
No luto, o tempo é de parar e de se recolher. É tempo de repensar a vida. É tempo da comunidade dos santos sair das quatro paredes para consolar, abrandar o sofrimento e dar o absoluto apoio para a pessoa enlutada. Não é tempo de cobrar a ausência aos cultos da pessoa enlutada.
Por favor, não faça isso!
Embora eu entenda que pode haver a mais pura e doce intenção nessa cobrança, isso soa despreocupação com o estado existencial de quem perdeu o ente querido.
Recentemente, aconselhei uma pessoa dilacerada pela dor da perda e pela dor de não ter achado em sua igreja local o consolo e o abraço amigo. Isso ocorreu fora do Rio de Janeiro.
Como é triste batalhar a vida inteira pela causa do Evangelho e quando se mais precisar não achar apoio onde deveria havê-lo em primeiro lugar: “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (Tg 1.27).
Com muito amor e carinho, a senhora sofrida ouviu de minha boca as palavras pelas quais passo a relatar: Minha irmã, ignore totalmente as palavras de quem pensa assim, pois ela não sabe o que diz. Não adianta persistir! Essa pessoa não entenderá o que realmente importa na causa do Evangelho. Quanto à senhora, chore a morte da sua filha. Chore, porque Jesus chorou a morte do seu amigo Lázaro, o que significa que o nosso Senhor compreende bem o que a senhora está sentindo. Leia diariamente os salmos 23 e 38. Esses salmos me confortaram muito quando fui atacado pela depressão. Leia-os orando, pedindo misericórdia e graça ao Senhor. Tenho certeza de que o nosso Senhor não lhe abandonará, como não me abandonou. Se puder, faça uma viagem com suas outras filhas e esposo. Vá para bem longe, procure está mais próxima daqueles que te amam e lhe querem bem. Isso não vai sarar a dor da perda, porque não há nada que repare a dor de uma mãe que perdeu uma filha, mas tais atitudes certamente lhe trarão consolo e esperança. Mais paz e equilíbrio, sabendo que a sua filha amada agora está viva com o Pai.
Com isso, o Corpo de Cristo deve consolar uns aos outros para todos tenhamos esperança em Deus (1 Ts 4.18).
Que essa humilde palavra também possa servir de consolo e paz para você, seja a que cobra o outro, ou seja a pessoa enlutada.
Paz e Bem!

sábado, 31 de outubro de 2015

Hoje, 31 de Outubro, dia da Reforma Protestante.

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Uma doutrina que eu destacaria neste dia é "o Sacerdócio Universal dos Crentes". A ideia de que não temos um intermediário entre Deus e o seu povo, senão Jesus Cristo, foi e é muito cara aos protestantes.
Atualmente, no meio evangélico, há milhares de pessoas que desconhecem a doutrina bíblica de que ninguém pode se denominar "representante de Deus sobre outras pessoas".
Há muitos entre nós que criticam a infalibilidade papal, mas que se mostram autoridades infalíveis em suas comunidades eclesiásticas. Não são papas apenas por falta de oportunidade e exercem essa "autoridade papal" em seus pequenos territórios. Não se mostram como pessoas comuns, que tiveram uma experiência com Deus e estão ali apenas para fazer um trabalho de mentoria espiritual e de edificação para o Corpo de Cristo; mas como uma "autoridade autoritária" que não tem compromisso com o Corpo de Cristo, mas somente com os seus próprios caprichos.
No Reino de Deus, somos todos sacerdotes sob a autoridade de um único Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, o nosso Senhor:
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz" (1 Pe 2.9).
No dia de hoje, não só hoje, exerça o seu ofício de sacerdote da Nova Aliança entrando com ousadia ao Trono da Graça de Deus, tendo a certeza de que ali há um Sumo Sacerdote igual a nós e que em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.14-16).
Um final de semana de muitas bênçãos!
Paz e Bem!